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Fevereiro 2005 Março 2005 Abril 2005

? Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005 ?

eu sonhava
tu nĂŁo fazias ideia
ela nĂŁo entendia
nĂłs falĂĄvamos
vĂłs erĂŠis mistĂŠrio
eles vivam as suas vidas sem mim
Eu caĂ­a
Tu continuavas sem fazer ideia (talvez tivesses uma irritação por esta minha intromissão)
Ele afastava-se, ea enraivecia-se
NĂłs podĂ­amos ter uma histĂłria
VĂłs continuĂĄveis estranho inalcansĂĄvel
Elas sussurravam na felicidade delas tĂŁo diferente da minha
Perfeitamente preterida.
Eu que nunca passe (ah, isto jå´Ê perfeito!) de vulto.
Vulto imperfeito, inacabado.
Eu era....quando (trĂŞs reticĂŞncias alongam-se neste prlongado quando).
Proferi basta. Quando bati o pĂŠ. Quando logo depois me sentei cansada ao ver a verdade.
A verdade presente. Sem laço nem papel de embrulho, apesar de amarga surpresa. Presente nas palavras.
[...]
Não sou. nao sei tambÊm em que linhas se faz o tempo verbal. Jå não são tão direitinhas como aquelas emparelhadas dos cadernos de criança.
NĂŁo me sei conjugar no futuro. Nem no presente.
Aquilo que foi o "perfeito" - por ter terminado? - jĂĄ se desvaneeu em dĂşvida, "queda" dominĂł.
Cansada. Presente da indicativa.

Post by "tens medo do escuro?" || 2:15 PM

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Apaga a luz

4 Luz(es) Apagada(s):

Gostei...cliquei em next blog lĂĄ em cima e estavas a seguir a mim..
Tb escrevo umas palavras como tu..
estou em www.umavidaumapalavra.blogspot.com

By Blogger _rutHe_, at 2:35 PM  

caimos. somos passado e presente. Ă s vezes gritamos e parece que ninguĂŠm nos ouve...

Adorei estas tuas palavras...

beijinhos* gmdt

By Blogger rita_, at 5:09 PM  

E o homem do cachimbo?

By Blogger Krip, at 10:20 PM  

o homem do cachimbo ĂŠ o rei .
o rei do palco que ninguem vĂŞ
*

By Blogger "tens medo do escuro?", at 3:18 AM  

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ola 2005...ola - murmura meio cabisbaixo. Hm cheiras a novo. Pois , pois cheiro - resmunga quase inaudivelmente- cheiro e sei la o que vou ser, o que as pessoas vao fazer de mim..sei e que chego a dezembro e vao todos falar mal de mim, vao todos querer ver m pelas costas..relembrar me como se me estivesse a encaixotar e depois..olha depois recebem outro. Mas... - começo confusa. Estou triste!!! - explode finalmente - Estou confuso! Tenho medo de nao corresponder aos sonhos e projectos das pessoas! Entao n ves aquelas listas de guardanapos de papel como planos religiosamente guardados? E se o guardanapo se perde na mha realidade??Olha la 2005 ,mas tb ninguem tem culpa que venhas e vas! Ninguem tem culpa que sejas so mais um começo e que cheires a novo e que apeteça pensar que começåmos do zero. Mas lembra te: ha um filme para tras, isto e so a saga. Ha um filme chamado 2004,2003..por ai fora... portanto nao foram bem encaixotados com repulsa. Tu nao ves que es mais forte que sacudidelas frustradas de pessoas que sao confrontadas com a tua realidade? Nao fazes necessariamente mal sendo real e dificil de preencher...dificil de escrever..mas sao as pessoas (tantas!) que te escrevem e sonham. Deixa-as sonhar, ja vist o que fazem de ti? Resmunga : Ja vi ja..baixa os braços..E depois maldizem me, magoam-me. Magoam te porque esperavam mais de ti? Sim...Mas devia t magoar mais se pudesses dar mais de ti. Mas n podes. Tu es o guardanapo de papel, nao a realidade em que ele se perde. Tu podes ser mts coisas ao mm tempo, de varias formas e feitios. Nao te sintas culpado -o meu braço esquerdo em torno dos seus ombros - vive cada faceta que cada pessoa te da. Espera. Conhece a evoluçao, estagnaçao ou involuçao das pessoas. Conhece as pessoas. Nada mais. Depois descansaras. Seras recordado. Serei? De qualquer forma , seras. E quem for esperto, saber recordar t km algo importante..uma peça. Ja vist um puzzle que lhe falta uma peça? Fica um espaço em branco... - responde num tom lânguido, menino mimado, com a confiança a crescer . Seras a peça que mts procuram, vais ver. Levanta-se, rasga um sorriso, tds os musculos prontos pa corrida, sacode o casaco, olha pa mim, mostra os dentes alvejando na luz e diz : bem...que eu seja bom! ou melhor..que eu seja algo, k eu seja a peça!E afastou se de passo seguro mas curioso..grande, imenso na sua realidade..ate que ficou sem forma.

Post by "tens medo do escuro?" || 2:04 PM

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Apaga a luz

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A porta do prĂŠdio fecha-se. O Ăşnico ruĂ­do que parece uma nota grave de um conjunto de violinos. Cortando o silĂŞncio como um vĂ´o de andorinha ou pardal rĂĄpido pelo ar.
Mãos nos bolsos. Levanto a cabeça e olhos para o cÊu. Fresco. Abobadado. Frio visível , palpåvel. Constante murmurar de coisas distantes que não fazem parte de mim, que não me dizem nada, que nada me fazem. Tão exteriores a mim, tão exteriores a este momento.
Cortina de vapor de ĂĄgua. FrĂĄgil. Vaporoso. DiĂĄfano. Pontua: notas de piano lentas, batem dentro das minhas costelas. Leves e ao mesmo tempo...no momento certo, uma nota.
As minhas pernas. O frio enrola-as, chicoteia-as de vez em quando e eu nĂŁo o posso sacudir.
O sol laranja ou cĂ´r de pĂŞssego escondido. Beija os meus olhos pesados. Sinto demasiado os meus olhos e o calor laranja embala-os, enquanto da minha boca entreaberta saem rolos de algo que geralmente nĂŁo vemos. Passamos a ver. Passa a desenhar o ar, o vazio Ă  nossa frente.
Vou no carro, então. Desliza o que estå em volta, nuvens de variadas formas e feitios, calor laranja em beijos aos meus olhos cansados e aninhados num cerrar de pålpebras em forma de raios que abraçam .
Leve acordar do mundo que me ĂŠ exterior, mas que nĂŁo me diz nada: casas, carros, sons. Porque o mundo exterior natural, diz-me tudo. Ouve-me tudo. Sonha-me tudo.
Andorinhas. 6 ou 7 . Saltitantes. Na paz do chĂŁo fresco da manhĂŁ. Um repente: voam freneticamente numa ode Ă  manhĂŁ que sĂł pode ser amada, nĂŁo explicada.
Frescas. Flores do ar. Cada uma , cada bater de asas , ĂŠ um bater de carinho, nos meus olhos, agora estĂŁo hĂşmidos, tremendo.
Momento suspenso.
Chilrear doce - sinto na boca a doçura, que vem da alma.

Post by "tens medo do escuro?" || 1:52 PM

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Apaga a luz

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? Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005 ?

Abres os olhos com esforço . Ouves um berro, a porta esmurra a parede. Tens que ir trabalhar. Como pudeste ficar na cama? Sentes o chão duro e åspero embater contra os teus membros doridos. Sentes o concreto dos teus ossos que berram de dor. AlguÊm te marcou o braço. marca que jå tantas vezes sentiste, desde pequena. Tu lembras-te, Vanessa. O teu pai não conseguia deixar a bebida que o seduzia de cada vez que o patrão o chamava pela última vez. A tua mãe não evitava os gritos, rasgados pelo teu pai. Ela tinha trabalhado por cinco homens, desde que o Sol nascera. Ela era forte, despachada, trabalhadora. Não conseguia vir a casa ao almoço, era cbiçada pelos outros machos. Teu pai não trabalhava e destruía num murro a causa da sua desgraça. Causa dele, d ciclo de sempre, do ciclo que ninguÊm parava e sobre o qual todos discorriam.
Foste trabalhar com roupas frias, olheiras vincadas, desgrenhada, tentas andar depressa.

Post by "tens medo do escuro?" || 12:06 PM

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Apaga a luz

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O lençol queimava-te. Não era por estar em chamas, mas sim porque a tua ele estava enregelada e demasiado sensível à mais pequena aragem. Sò tinhas um lençol em cima de ti. As rtuas mãos tremelicantes agarravam com força o braço oposto, friccionando-o co violência.
as lågrimas repuxam-te a pele gelada. Querias ser livre, saber como ser livre. levantares-te num colchão fofo e quente, esticares os teus músculos como se nessa extensão se estendesse o tempo que o Mundo lå de fora (onde Ê o lå fora?) determina. Queriasvestir-te a cantarolar, com uma janela enorme por onde entrasse o sol cor de malmequer. Roupas simples e com classe , assim, a cair bem, cmo se não estivesse muito pensadas. E o cabelo sempre bem arranjado , brilhante. E um pequeno almoço interminåvel, trincando a paz.

Post by "tens medo do escuro?" || 12:00 PM

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Apaga a luz

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? Domingo, Fevereiro 20, 2005 ?

Chegaste atrasada mais uma vez. Nao interessa se cai­ste,nao interessa se tiveste dores esquisitas. A tua linha de montagem nao funcionou como devia. Ja la esta outra ves, sai.
Desanda.
As pernas dobram-se . Pelos olhos fehcados projecta-se : a tua filha com fome sem poder ter o que os pequenos, com uma perversao sincera dizem que "e deles". A tua filha que anda com aqueles miudos que se organizam pela natureza que provam a forca que lhes orienta os dias vazios. Um dia...Um dia havera um rapaz como o teu marido que lhe bichanara ao ouvido coisas bonitas. E como os outros, a mesma historia , com outras personagens. Projecta-se tambem o teu marido urrando e cortando-te o corpo com violencia. Muita de muitas formas, as mesmas cores: preto e vermelho.
Demabulas pelas ruas sem ver os paralelos. A porta do teu predio de betao ja se ve. Demoraste as horas nos passos pesados.
Ves uma luz leve la em cima. Tremes.
Porque isto? Porque a mim? Porque a rua tortuosa e sem fim que desliza so os nosso pes sem parar ou deixar parar?
Pergunta muda. Suspiros que sobem as escadas.
Ini­cio do fim.

Post by "tens medo do escuro?" || 4:08 PM

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Apaga a luz

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Falas uma serie de sons que a tua li­ngua contra o ceu da boca e os dentes, em conjunto co o som que vibra as tuas cordas . O tropel, o regato, a ondulacao de palavras, linha de montagem que sai pela cavidade bocal. Essa serpentina amarra-me primeiro o pulso, depois o antebraco e corta e eu exaspero fechando por momentos as palpebras finas. Eu quero interromper essa linha. A minha mao ergue-se. Abro-a . Em toda a sua largura e comprimento.
Muro translucido cor de pele, com sangue correndo dentro.

Post by "tens medo do escuro?" || 12:26 PM

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Apaga a luz

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Sol nas costas, no cabelo. Sol da paz, sol da vida, que sao agora se descortina . Vida, vida! Fazer os dias e as horas com sentimentos. Sonhar-te, sonhar o que o meu corpo nao marca, desenhar as horas. Nao e querer ser outra, ter outra vida. E escrever na minha pele e nas minhas memorias, sonhos , minutos e sensacoes.
Agora, o comeco das minhas costas, termino das minhas costas, termino do pescoco. Ao vento. Senti uma textura diferente de encontro a essa pele.
Meio sorriso. Passa um vento com cheiro a folhas secas, subito. Cabelos leves, fazem-me cocegas. as cocegas que perduram, sem eu saber das horas que virao, feitas por outros, tao personagens da minha vida banal.
"Sometimes I feel I've got to.." paro "Run away , I've got to" imagino a melodia "get away".

Post by "tens medo do escuro?" || 12:10 PM

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Apaga a luz

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? Sábado, Fevereiro 19, 2005 ?

Vejo a camioneta a deslizar na erva. Imagino-me la fora a percorrer na horizontalidade . O vertical colou-se no horizontal.
[...]
Evora. Pinceladas brancas desenquadradas. Um branco fresco. Brisa branca. Apaziguadora. Ultima viagem. Minto. Tudo e viagem. Ultimo momento igual a este . A turma. Pessoas. Vejo-lhes os movimentos, vejo-lhes a vontade de estarem bem, de terem sentimentos, de fazerem parte das historias uns dos outros.Sinto-me lancada numa sala. Atras da porta ficaram corredores e atrios por onde vivemos juntos. O baque da porta, bateu medo surdo em mim.Para onde vamos? Que faremos sem guias, cadernos, musica de camioneta, jogos. conversas, noites em quartos desarrumados, incursoes nocturnas, banhos atrasados, dormidas sem pais, piqueniques em escadas varias? Que faremos ? Eu? Eu, que farei oh nao sei estas horas parecem me sempre perdidas porque? As horas escorrem-me nos olhos a arder. Fica algo. Sempre.

Post by "tens medo do escuro?" || 9:32 PM

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Apaga a luz

1 Luz(es) Apagada(s):

última viagem. Évora será sempre o símbolo disso mesmo. das pessoas, das músicas, das conversas, das amizades que nunca esqueceremos porque "Fica algo. Sempre"
foi a melhor viagem de sempre desta turma =)

By Anonymous neya, at 2:57 PM  

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