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? Segunda-feira, Abril 25, 2005 ?


Perdi. Sim, tinhamos nas maos em concha e papelinhos que diziam confianca, diziam preocupacao, amor quase obsessivo, conversas entre vinho e queijo. Diziam, os dedos abriram se e o vento lancou-os espalhados , misturados nas pocas de agua. A tinta lacrimeja fria (sao as cordas que empurram estas palavra)  Posted by Hello

Post by "tens medo do escuro?" || 12:03 PM

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Apaga a luz

4 Luz(es) Apagada(s):

oh..bolas..agora fiquei sem palavrinhas..texto lindo..foto linda..tu:um doce =') *

By Blogger Bellatrix, at 11:13 AM  

Tao doces que eram as palavras, tao amargos os sentidos agora.

By Blogger João Teixeira, at 2:59 PM  

se eu encontrar uma ilha...

By Blogger Rasputine, at 2:28 PM  

fikei com o teu comment no pensamento ou gostava de falar ctg....

By Blogger tvd, at 6:55 PM  

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? Domingo, Abril 24, 2005 ?

Leve, leve , gotas que picam lançados na frescura dos olhos cerrados, que nada esperam já.
Leve, leve, a gota que me escorre no lábio murmura-me: remorso. Perdeste por nao querer lutar. Preço da guerra que travaste entre ti e ti.
Entre o que deixavas de acreditar e o que querias mudar. Entre o que mudaste e nao tocaste e entre o que ja nao sabias se havias de sonhar e a dor da tua alma encorrilhada.
Leves, leves, bebo-as salgadas de cabelos colados nas costas e esperar o vento me trazer-te sem te perder mais.

Post by "tens medo do escuro?" || 4:07 PM

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Apaga a luz

2 Luz(es) Apagada(s):

eu também as bebo (?)..
adoro-te*

By Blogger Bellatrix, at 11:16 AM  

E porque n?o beber um pouco mais, para que um dia n?o se repitam estes salgados erros.

Mas o vento nada traz, um sopro é mais de fiar.

By Blogger João Teixeira, at 3:01 PM  

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Se soubesses o que eu nao sei e nao me dissesses, eu dizia te o que sentia que ia saber.
Sabia e escondia atras das costas e tu sabias onde estavam as costas, nao diziamos e sabiamos.Sabiamos, que dizer, um dia gritámos, ficámos sem saber se oque dissemos mudava alguma coisa. Quando é dito, sabemos mais? Ou o que sabemos nunca e dito, e o dizer e nao querer saber,e ver , e dizer o qe nao sabemos e queremos saber?
Dissemos, quisemos, cansamos, escondemos, procuramos, e quase que encontramos e nao nos angustiamos no suspiro desinteressado.

Post by "tens medo do escuro?" || 4:05 PM

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Apaga a luz

2 Luz(es) Apagada(s):

as palavrinhas.. as palavrinhas q desprezamos, q dizemos n significarem nada, q chutamos e insultamos e magoamos e tudo isso, mas q no fundo amamos perdidamente.. as palavrinhas mágicas.. como estas: adoro-te muito =') *

By Blogger Bellatrix, at 11:22 AM  

Hum... vou suspirar...

-Suspiro-

Eu já disse que morro por que me digam? O pior é que me dizem o que já sei, e sabendo eu preciso eu que me digam?

Dizer apenas traz confirmaç?o ao que o outro diz.

By Blogger João Teixeira, at 3:05 PM  

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Louca no barco de papel : as tuas maos agarram as bordas. Baloiças, baloiças. Fazes ss,e as maos tambem.
Cortamos o ar, nao, deslizamos no ar, em valsas lentas.
As minhas maos pedem o teu suor frio, e pedem-te que deixes o quero na lingua.Engole-o, ou antes, lança-o no braço que se revolve depois gracioso no ar.
Dança, rodopia, uma curva , salta no barco branco de linhas, leve. Balança o pe direito diz querer! o pe esquerdo roda hesitante e no chao, escrito, uase apagado, nao quero querer (murmurio ansioso. )
Se quiseres, esticas a perna e avanças (para o barco, nao te desequilibrando), se nao quiseres podes saltar, com os dois pes juntos e juntares-te ao barquinho.
Teve entre os dedos, rodopiam agora nas tuas maos e o barco, tambem.
E agora o barco navega nas palavras entre um livro.Balanças e balan..Agarra te!

Post by "tens medo do escuro?" || 4:03 PM

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Apaga a luz

2 Luz(es) Apagada(s):

eu balanço.. balanço sempre.. mas depois solto as palavras..
quero
n?o quero
já n?o sei
nada
escondo-me no barquinho e tento perceber o que significa tudo isto, tento sem medo, mas..o meu coraç?o de menina n?o deixa..
adoro-te*

By Blogger Bellatrix, at 2:19 PM  

Calo-me

- Balanço, ao sabor das palavras -

- Calo-me já disse.

Falei

By Blogger João Teixeira, at 3:09 PM  

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Corpos. Fumo doce. Ch?o espelho, frio enrolado nas minhas pernas, calor entrelaçado nos dedos. Os dentes apanham frio, os olhos contraem-se, sem temerem ver-se na tua pupila.As peles, os dedos, os arrepios, o movimento.
Eu, tu, os outros, e o sorriso. O ar da noite so nosso, o ceu cor de cobre so nosso. Levantei do chao e nao respiro em mim.O chao preto so nosso.
Nosso, o sem-nome.

Post by "tens medo do escuro?" || 4:02 PM

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Apaga a luz

1 Luz(es) Apagada(s):

Mas eu hoje estou falsamente desolado, por isso digo que o ch?o preto n?o é preto mas mais um abismo escondido.

Raios, odeio abismos escondidos.

By Blogger João Teixeira, at 3:11 PM  

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chuva + pedra +orvalho + pes frios + costas arrepiadas + cabelos colados + sussurros desconexos + passos de corrida + vazio de cantos de passaros + relogio detestavel.


Nao, as escadas de betao estao cheias do barulho de cortador de relva e gritos de miudos. Va , da a mao e vamos ser nos sem mais ninguem, manto de invisibilidade.
Orvalho. Pequenas perolas de cristal a beijar o verde. Os pes gelados e a pedra suja que nos recebe.
Nao, estas linhas nao vao sequer delinear as nossas, palavras desconexas , olhares desconfiados a querer afastar outros humanos.
Cabelos molhados, perder a noçao do que eu sou e tu es, aquilo que me solta o folego e o nos.
Sonhado. Real sem eu saer as palavras ou o que é, ou a calma, ou a paz, ate a inquietude ficou pisada no ruido surdo do verde gelado.

Post by "tens medo do escuro?" || 4:00 PM

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Apaga a luz

0 Luz(es) Apagada(s):

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Sim, ao canto da sala , sozinha a chorar.
Queria mudar, começo eu murmurando sil?ncios. N?o. O mundo n?o. Queria mudá-la. De uma vez por todas, despe essa amargura, despe queima, rasga, ouve o som seco, violento.Falho, penso.
Quero avançar, vejo-te.
N?o tenho o teu braço atras de mim, nem com todo o amor nas tuas maos em concha e olhos vidrados.Nao tenho a confiança que ja me fez soltar tanto, nao tenho o "vai", nao tenho o "ensinaste me tanto agora". Nao tenho a desculpa da falha, e onde esta a calma , a dos pes um a frente do outro, lentamente? Nao tenho.
O canto da sala e eu e os joelhos contra o peito e o frio a ser afugentado.
A felicidade tao sem letrinhas, so bocas, maos , abraços , lagrimas.
Um passo. A solidao tao com letras, tao silencio , tao tristeza, tao medo.
Nao te sei.

Post by "tens medo do escuro?" || 3:58 PM

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Apaga a luz

0 Luz(es) Apagada(s):

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tu sabes. Quase como um pedido de confirmaçao, uma fuga as palavras que começam a arranhar me, um arranhar sem prazer. Um arranhar que me torna pequenina, sem lingua, de labios cerrados , fitando o chao, num encolher de ombros.
tu sabes aquilo que eu te faço, n sabes?
nao, nao n se sabe dizer o que t faço, n se sabe dizer o que....sonho. A palavra que a voz pronunciou antes de descolares os labios era diferente?
A minha era, mas ela n se escreve, nao, basta de simbolos seguidos, basta de dizer.
Porque o dizer, sempre o dizer, sempre os sons, sempre a necessidade absurda de os tornar reais. Quase para nao esquecer, quase para nos impor, assegurar, fazer te nao esquecer do que eu me lembro.
De ti, do imprevisivel, das surpresas e de todas as folhas em branco.
tu sabes, que o medo vai se encostando aos meus braços e se enroscando, porque de cada vez que a minha mao avança para letras, de cada vez que a lignua se enrola para produzir sons. Medo de rasgar o sentir, medo de rasgar o ser, medo de arranhar historias de outros no meu disco.
E logo sentes tb, logo paro de dizer, logo m apaixono pelo dizer te, pelo murmurar te , elo desxcobrir te , pelas palavras que , sim, nao me fazem esquecer, sim sao eu outra vez no caminho .

Post by "tens medo do escuro?" || 2:09 PM

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Apaga a luz

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? Sexta-feira, Abril 15, 2005 ?

As escadas murmuravam depois do som electronico. Manha. Colada na sombra das paredes velhas.
Para cima da cama, lanças o cansaço dos membros. Julguei ver te atirada, mas o cabelo começou a esvoaçar. Tu escreves no guardanapo, estendes os planos som o marmore, estendes o sorriso em ajuda, eu atrapalho, tropeco no sono, nao tropecas nos problemas reais ao cafe com leite.
Nao te quero deixar, passinhos curtos saltados a acompanhar te o andar de feiticieira dos contos de fada ( a capa esvoaçou)
Nao te deixo ir sem te apertar a mao, mesmo que nos meus olhos nervosos...Procuram te, ainda nao conseguem dizer te que nao vivem sem os ponteiros nos unirem. Ainda nao. Ja desceste, as escadas murmuram de novo.
Solto o suspiro na sombra vazia.

Post by "tens medo do escuro?" || 7:21 AM

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Apaga a luz

2 Luz(es) Apagada(s):

acreditas q a sorte existe? ;) *beijo*

By Blogger Bellatrix, at 4:29 PM  

beijinho "puff"*

By Blogger rita_, at 3:48 AM  

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? Quarta-feira, Abril 13, 2005 ?

Tu descias a ladeira, era ingreme, de terra e os troncos retorcidos cabiam nas maos. E a tua voz abafada atirava-me: vou perd?-lo, anda!
Pensava eu, suando, onde estao as malas? Os sacos, com roupas tudo aquilo que nos ensinaram sem starmos em bancos de escola, com livros , jornais, com aquilo que nao conseguimos cortar com a tesoura da vagem em cima do joelho?
Descias, punhas o pe, tremias, os cabelos apressavam-se: vem!
A tua voz fez assim uma curva, pela qual agora deslizo.
Ja peso as minhas pernas cansadas uma a frente da outra, no chao da estaçao. Os quadros luminosos nunca casaram com os azulejos azuis. As pombas nao sao daqui e os quiosques sao tao iguais. As pessoas vem todas ter comigo, porque terei que torcer assim o tronco e perder a meta de vista?
Olhas para tras, alnças te assim, poe cima do ombro, soltas o entao! numa baforada de vida respirada.Os teus pes estao um a beira do outro e tu fitas o chao, agora sobes e desces, sobes e desces, os teus ombros quase nus, os teus braços a tentarem acalmar o corpo, ao longo dele.
Torces-te: eu vou, murmuras a sentir o coraçao na lingua e nas memorias
.Tens aqui alguma coisa no cabelo, afaga a minha mao. Cai. As maos? Sim, prendem o cabelo, tentas em cada gesto deixar o medo de nao seres quem os outros esperam.
Digo te alguma coisa (pedes)
Diz me entao, diz me o qu vai ai dentro
"Diz me se nao e ai entro, diz me o que ja sonhaste, pensaste, o que ves depois daqueçla linha de ferro, sim, carris! Diz me: queres ver so o relogio grande de Campanha, branco? Queres ver relogios de outras cidades?
"Va, da me a mao".
Dou, dou e corremos pelos bancos , mas queres ter uma casa nalgum sitio ou andar pelas ruas?
Um beijo na testa.
Nao, nao , da me um abraço , o eu lado esquerdo bate com o meu, nao o deixes ficar frio, fa lo correr assim sempre!
Diz-lhes que..Nao desvies os olhos outra vez. Os olhos , ves os outros mas nao me ves a mim? Digo lhes? Nao sei deles!
As unhas pretas cravaram se na ombreira da porta. Engoliu te.
Chegaste me

(do cabelo caiu uma folhinha. guardei a nas maos em concha , fechei a sentia nos labios e soube m a verde fresco)

Post by "tens medo do escuro?" || 12:28 PM

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Apaga a luz

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? Quarta-feira, Abril 06, 2005 ?

A porta do prédio fecha-se. O único ruído que parece uma nota grave de um conjunto de violinos. Cortando o silencio como um vôo de andorinha ou pardal rápido pelo ar.
Maos nos bolsos. Levanto a cabeça e os olhos para o céu. Fresco. Abobadado. Frio visível, frio palpável. Constante murmurar de coisas distantes que nao fazem parte de mim, que nao me dizem nada, que nada me fazem. Tao exteriores a mim, tao exteriores a este momento.Cortina de vapor de água. Frágil. Vaporoso. Diáfana. Pontua: notas de piano lentas, batem dentro das minhas costelas. Trazem leveza no entanto...No momento certo uma nota.
As minhas pernas. O frio enrola-as , chicoteia-as de vez em quando e eu nao o posso sacudir.
O sol laranja ou côr de pessego escondido. Beija os meus olhos pesados. Sinto demasiado os meus olhos e o calor laranja embala-os, enquanto da minha boca entreaberta saem rolos de algo que geralmente nao vemos. Passamos a ver. Passa a desenhar o ar, o vazio, a nossa frente. Encosto me no banco.
Vou no carro, entao. Desliza o que tá em volta, nuvens de várias formas e feitios, calor laranja em beijos aos meus olhos cansados e aninhados num cerrar de pálpebras. Cor palpável em forma de raios que abraçam. Leve acordar do mundo que me é exterior, mas que nao me diz nada: casas, carros, sons. Porque o mundo exterior natural, diz-me tudo. Ouve-me tudo. Sonha-me tudo.
Andorinhas . Seis ou sete. Saltitantes . Na paz do chao fresco da manha. Um repente: voam freneticmente numa ode a manha, que só pode ser amada, nao explicada. Frescas, flores do ar. Cada uma, cada bater de asas, é um bater de carinho, nos meus olhos que agora estao húmidos, tremendo. Momento suspenso.
Chilrear doce, sinto na boca a doçura, que vem da alma.

Post by "tens medo do escuro?" || 4:13 AM

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Apaga a luz

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Vou gritar , sentir a garganta escanar-se, partir-se por fendas explosivas e dsintegradoras. E sentir m?os arranharem-me com explos?o universal, poder fora desta esfera. A minha boca abre-se, os músculos doem, esticam-se, tremem no seu máximo. De lá de dentro quero expelir um raio que inflinge os prédios, que racha as ruas, que pisa tudo e tudo abala. O grito, o raio, a dor, a energia, o poder, disparado pelas cordas que tremem com vontade própria.Sinto o coraç?o andar ?s voltas no meu peito, batendo contra as minhas costelas, batendo na minha garganta, ombro contra a porta.
O coraç?o que depois acalma. Quando o raio foge de mim, lá longe. A garganta lateja, o fôlego tenta fugir desesperado, fugaz em soluços. E em sil?ncio solta a minha garganta um ai em forma de dor aguda, incisiva, gemido lânguido mordaz. O coraç?o rodopia uma última vez, escorrega pela porta contra a qual tinha invstido. Ruído surdo estende-se no ch?o, um baque. Leve elevaç?o. Encolhe-se de novo. Gritei

Post by "tens medo do escuro?" || 4:11 AM

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Apaga a luz

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É aquela felicidade de que já nao me lembrava há umas boas páginas do calendário arrancadas.Agora sou vento. Agora eu estou dentro de um corpo cujos poros quero que todos sorriam.
Sento-me numa sala escura . O escuro tem um leve cheiro a vazio, a frio impessoal. Ligo a bobine. Ouço um ronronar constante que aos poucos preenche a sala. E dentro , celulóide roda sem parar, queimado pela luz que nos fará ver.
a frente, o pó que me rodeava , a poeira que nunca percebi de onde vinha desde que a vejo num raio de sol que se infiltra na minha sala de aula da segunda classe. De repente, na parede agora amarelada pela luz, por aquele feixe de luz bem delineado, projecta-se a sala de aula. O raio de sol. A minha pergunta : de onde vem esta poeira , porque existe?
E vejo-me a fazer da mesa de tom creme um teclado de piano, deixando as minhas m?os produzir sons que só eu ouvia e agora nao ouço, a nao ser quando a minha mao decide tactear no escuro e ligar a aparelhagem, que solta notas pungentes. "Ouvi Dizer".
Agora há música.
E logo outro fotograma desliza, nao demasiado fixa. E vejo um recreio, vivo, cheio de bibes velozes. Vejo-me enroscada tentando proteger-me daquele vento que as vezes trazia o cheiro das caves húmidas . Aquele vento que trazia poeira e folhas secas. E ficava a ver aquela dança sem pessoas sem maos só o ar correndo, fazendo formas, tudo num rodopio que suga a minha alma.
Outros fotogramas acariciam a parede .
Aqui, vejo um primeiro beijo polvilhado de risos excessivamente nervosos, tornando o momento numa gargalhada agora condescendente. Mais frenético, o ronronar da bobine. E fugidío, vejo um olhar que tornei essencial para mim, na minha história de encantar, vejo um abraço que é um nó lacrimoso desapertado, vejo raivas surdas minhas que tanto imaginei que teriam som. Vejo um pôr do sol que vi de encontro a parede quente da minha varanda. Um pôr do sol que agora enche a sala.
Já nao é escura, tronou-se laranja adocicada. E eu nao solto mais lágrimas, deixo-me estar. Os fotogramas...nao sei se acabaram . Sinto que deslizam levemente na parede..riscados, fugazes, rápidos, tentando focar-se

Post by "tens medo do escuro?" || 4:09 AM

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Apaga a luz

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Capuchinho Vermelho que cara é essa? É a cara que tenho. N?o, essa cara tem olhos maliciosos. T?m um brilho louco, um brilho que parece uma vela a ser acesa, uma vela que explode numa chama que grita. S?o dois carv?es em brasa. Mordes o lábio inferior, torces a boca num leve sorriso para o lado, olhas de baixo para cima, as tuas órbitas rolam do ch?o para mim. Perfuras a realidade. E escondes as m?os atrás das costas.
N?o vejo, fico encantada com o teu ar louco.Eu escondo a arma do crime.
Qual?
H?s-de saber. Olha para o teu lado esquerdo. Vazio . Negro. Vácuo

Post by "tens medo do escuro?" || 4:06 AM

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Apaga a luz

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? Sexta-feira, Abril 01, 2005 ?


"a placidez do cerebro exprime se pela agitacao dos olhos " , parede , Cedofeita Posted by Hello

Post by "tens medo do escuro?" || 10:25 AM

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Apaga a luz

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O predio é laranja, verde musgo, e beje. E as arvores sombreiam-no. Tem uma entrada grande com escadas.
E bebe sol. O sol roca-se nele. E ele reflecte tantos sonhos que já colei nele...
Predios mais pequenos. Ha este vento, este sol, e estas memorias edificadas e que sao a paz? Bem sabia.
Aquela (esta) sombra fesca vai-me perseguir enquanto eu quiser lembrar-me de vida.
Vida, sim, vida nos minutos. Aperta. Quero um abraco que aperte estes minutos, horas, imagens, cheiros, palavras, musica em torno da minha cabeca.
Abracem-me tudo isso, abracem-me a vida, e o calor que quero dar.
O desafio. Olha, o lixo voa como as folhas de arvore na minha infancia.
O desafio da vida. Porque a morte esta sempre la, segura.
Sacode a cabeça.
Riso escanado seguro de que consegue. Mais cedo ou mais tarde. Observa-nos no fio da navalha, equilibrando-nos, caras esforcadas, suplicantes, incompreendidas.
Um dia caimos do fio. E ela suspira e recolhe-nos com as maos duras e asperas.
Quem nos ve cair do fio periclitante, cai la dentro, ainda que nao caia mesmo. Falha o pe. Ou entao nao falha quando queremos, porque ela nao nos quer ver cair. Ainda.
E este ainda e tao fragil, quanto as minhas palavras que nao me levam a emocao nenhuma.

Post by "tens medo do escuro?" || 9:49 AM

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Apaga a luz

1 Luz(es) Apagada(s):

Levam sim..Os meus braços envolvem-te, aqui, aí, lá, onde existires*

By Blogger Bellatrix, at 9:48 AM  

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